quarta-feira, 21 de junho de 2017

Índios Preferem Vida Civilizada

NADA DE OCAS
Nas terras indígenas, as malocas representam apenas 2,9% de todos os domicílios 14 pontos desconhecidos sobre os índios brasileiros Eles não dormem em ocas, aproveitam a eletricidade e falam português. Dados revelados pelo IBGE mostram o retrato do índio brasileiro hoje (Marco Prates, “Revista Exame”, 10-8-12). A mais atualizada pesquisa sobre a população indígena do Brasil, divulgada pelo IBGE, mostra números que revelam um panorama bem diferente do que os portugueses encontraram aqui em 1500. Mais de um terço dos índios vive em áreas urbanas e quase ninguém dorme dentro de ocas ou malocas. Alguns se declaram índios, mas não sabem a que etnia pertencem. Confira abaixo os destaques das informações obtidas a partir do Censo 2010: 1) Existem 896,9 mil indígenas no País. Em 1500, estimativas de historiadores é de que esse número seria de até cinco milhões. 2) Um em cada três vive em áreas urbanas O IBGE descobriu que 36,2% da população indígena reside em área urbana e 63,8% na área rural. Entre as regiões, o maior contingente fica na região Norte, com 342,8 mil indígenas, e o menor no Sul, com 78,8 mil. 3) O português domina Dos indígenas com cinco anos ou mais de idade, 37,4% falam uma língua indígena, enquanto 76,9% falam português. Fora das terras demarcadas em todo o território nacional, somente 12,7% falam alguma língua indígena. Entre aqueles com mais de 50 anos de idade dentro das terras demarcadas, quase 98% não falam português. 4) Quase 80 mil deles não se declaram índios Pela primeira vez, o IBGE contou não somente as pessoas que se declararam indígenas, mas também as que, apesar de viverem em áreas demarcadas e se considerarem indígenas em termos de tradições e costumes, declaravam-se de outra cor ou raça. 78,9 mil indígenas foram contados assim, sendo que 70% desses se declaravam pardos. 5) São 305 etnias que falam 274 línguas Pela primeira vez, o IBGE contabilizou estes números. 6) Parte deles não sabe a que etnia pertence Exatos 147,2 mil índios (16,4%) não souberam dizer a que etnia pertenciam. Outros 6% não declararam. 7) Eles detêm 1/8 do território brasileiro O território demarcado está dividido em 505 terras identificadas, que totalizam 106,7 milhões de hectares (12,5% do Brasil), concentrados na Amazônia Legal. Dessas, 291 têm populações em que vivem entre cem e mil índios. 8) Os Tikúna são os mais numerosos Com 6,8% do total de índios (46,1 mil), os Tikúna constituem a etnia mais numerosa do País, seguidos pelos da etnia Guarani Kaiowá, com 43,4 mil. Considerando os que vivem em uma mesma terra, porém, a liderança é dos Yanomámis, que totalizam 25,7 mil pessoas em área nos estados do Amazonas e Roraima. 9) População jovem No Brasil, 22,1% da população em geral tem entre 0 e 14 anos. Já na população indígena, quase metade (45%) tem esta idade. 10) Mais da metade deles não ganha nada Quando se trata de rendimentos, 52,9% dos índios não recebem nada, proporção ainda maior nas áreas rurais (65,7%). O IBGE ressalta, no entanto, que esta informação é de difícil mensuração, pois muitos trabalhos são feitos coletivamente e a relação com a terra tem enorme significado, sem a noção de propriedade privada. Na região Norte, por exemplo, 92,6%, das pessoas indígenas de 10 anos ou mais recebiam até um salário mínimo ou não tinham rendimentos.
para 76,7%. Hoje, o índice nacional, considerando índios e não índios, é de 90,4%. 13) Sem registro A proporção de indígenas com registro de nascimento (67,8%) é menor que a de não indígenas (98,4%). 14) Apenas 10% deles vivem no escuro A energia elétrica de companhia distribuidora ou outras fontes, dentro das terras indígenas, chega a 70,1% dos domicílios. Considerando o total de terras indígenas, apenas 10,3% não tinham qualquer tipo de energia elétrica. ____________ (Fonte: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/14-coisas-que-voce-nao-sabia-sobre-os-nossos-indios).

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Manter a gravata não é mera opção

“A gravata já não é necessária” é o título de matéria publicada no diário madrilense “El País” de 16 de maio último. A articulista, Estel Vilaseca, baseia-se em reflexões de Vanessa Friedman, jornalista de modas do “The New York Times”, sobre o fato de três figuras de destaque midiático da esquerda internacional — Barack Obama, Pablo Iglesias e Alexis Tsipras — estarem cada vez mais dispensando o uso da gravata e apresentando-se de maneira mais informal e “espontânea”. Ao evidenciar tal proceder, Vilaseca não visa criticá-los nem desestimulá-los em sua tendência despojadora. Pelo contrário, a intenção da articulista é atrair para a esteira rolante que conduz ao neoprimitivismo cavernícola o mundo civilizado. Com efeito, o homem moderno está se aproximando cada vez mais dos cavernícolas... Quem tiver oportunidade de analisar o livro de Melissa Leventon, A história ilustrada do vestuário, da PubliFolha, constata que ao longo de toda a história da humanidade, salvo algumas exceções, os homens sempre buscaram instintivamente se adornar cobrindo o próprio corpo e valorizando sua aparência. Como surgiu o uso da gravata? A civilização cristã aprimorou o bom gosto e as vestimentas se elevaram em categoria e elegância. Isso se deu especialmente na França. Também, em grande parte por influência da “Filha Primogênita da Igreja”, em toda a Europa. A vestimenta era a moldura das boas maneiras, do respeito mútuo e da elevação de espírito. O fato de os homens não serem meros animais, mas sim animais racionais, dotados de inteligência, impôs ao longo da História que eles se apresentassem de modo a expressar sua mentalidade, sua personalidade. O adorno sobre o corpo visa ressaltar a alma. Além disso, pode expressar a dignidade e as funções de quem faz uso desse adorno. Se alguém quiser conhecer a mentalidade de outrem, um indício importante consiste em analisar como ele se veste e deseja ser visto pelos outros. Mas não é só isso. A maneira de se apresentar expressa ainda a consideração do homem em relação aos demais seres humanos. Essa mútua consideração chegou a constituir um ambiente do verdadeiro esplendor de vida, em todos os níveis sociais, como ocorreu na época denominada Ancien Régime. Em seu livro A essência do estilo, Joan De Jean explica ter a gravata sido adotada na França por volta de 1670, durante o reinado de Luís XIV. E o portal G1, de 24 de janeiro de 2009, confirma que em 1618 um regimento croata passou pela França durante a Guerra dos Trinta Anos usando um lenço no pescoço para conter o suor. Posteriormente a nobreza, influenciada por Luís XIV, aderiu à moda, certamente aprimorando-a e popularizando-a com o nome de “cravate”, palavra derivada de croata. A “cravate” tornou-se desde então um símbolo de distinção, masculinidade e honra. Seu uso se prolongou no tempo, durante a Revolução Francesa e todo o século XIX. No século XX ela tomou o formato atual, como um complemento indispensável ao terno. Na realidade, é o último adorno tradicional que persiste no vestuário masculino. No livro-álbum O design do século XX (pp. 140-141), de Michel Tambini, ficam evidentes a transformação da moda e a “neoprimitivização” do vestuário, acompanhando todos os demais aspectos da vida, o que vai conduzindo a humanidade à perda acentuada do bom gosto, da distinção, da elevação etc.
Transformação da moda e consequências morais Há um aspecto mais grave a considerar. As transformações que a moda vem gerando ao longo dos últimos cem anos pelo menos, constituem uma manifestação de algo mais profundo, de cunho moral e religioso. Isso ao arrepio daqueles obstinados em não reconhecer que o afundamento no neoprimitivismo ou no neopaganismo constitui recusa e alijamento, por parte da sociedade atual, de Deus. Nesse sentido, convém registrar que em seu livro Arquivo Urbano, Jussara Romão relaciona o advento da minissaia com a estabilização do uso da pílula anticoncepcional (p. 14). Ademais, na página 169 registra que, na década de 60, “a virgindade foi posta em xeque e a nudez deixou de ser pecado mortal”. Evidentemente, isto se deu apenas dentro de cabeças relativistas da nossa época... e de nenhum modo na inteligência divina! Todavia é preciso reconhecer que a gravata tem-se mantido de uma forma quase inexplicável. Seu uso se mantém nas cerimônias de casamento, na posse de cargos oficiais. Outros exemplos de seu uso poderiam ser citados. Em matéria de vestuário, apogeu da decadência A realidade cotidiana nos revela ad nauseam que estamos chegando ao ponto mais decadente da história da humanidade em matéria de vestuário. Do ponto de vista do bom gosto, nunca as pessoas se apresentaram de modo tão irracional, grotesco, indigno, como em nossos dias, com honrosas exceções. O estilo atual se caracteriza quase como “nada combina com nada nem com a pessoa”. Nesta situação, a gravata representa uma trava, talvez a última, antes de tudo arrebentar definitivamente em matéria de vestuário. Razão pela qual ela merece ser defendida e mantida a todo custo. Lembro-me da resposta do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a um jornalista da “Associated Press”, em 1973, quando este perguntou por que a aparência dos membros da TFP era sempre a mesma, com terno, gravata e cabelo curto, foi-lhe dada a seguinte resposta: “Eu podia virar a pergunta: por que os hippies nunca usam terno, gravata e cabelo curto? A razão é a mesma”. Substitua o leitor os já ultrapassados hippies pelos neocavernícolas de nossos dias e constatará que a resposta valerá ´para estes últimos. Por isso, uso e defendo a gravata. Ela se tornou um símbolo dos que não desejam deixar-se arrastar para o neocavernicolismo. Isso não significa que todos os homens devam usar gravata, mas os que têm razões sérias para seu uso, não devem abandoná-la. Julgo necessário resistir à avassaladora onda de vulgaridade e decadência que atingiu o vestuário contemporâneo. (Artigo publicado na revista Catolicismo de Agosto de 2016, sem a foto acima)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Neocaverniculismo

Por razões de ofício viajo com muita frequência por vários Estados do nosso Brasil. E me admiro como em todos os lugares o nudismo vai atingindo um grau cada vez mais próximo do “total”. Dentro de não muito tempo vestir-se se tornará incompreensível. Aliás em não poucos lugares quase já o é. À primeira vista o nudismo parece traduzir um anseio de vencer o calor asfixiante que, para quem está descendo dinamicamente essa rampa, a cada ano vai se tornando mais insuportável... É a justificativa mais empregada, para que a pessoa se despoje de suas roupas. Contudo o inverno tem mostrado que isso não é bem assim. Assumindo uma conduta inteiramente ilógica, é frequente depararmos na rua em dias de baixa temperatura com pessoas fortemente agasalhadas, com capuz e os braços cruzados bem apertados ao tronco, mas exibindo os membros inferiores completamente nus e tiritando de frio. Que sentido tem isso?! Seria um exagero dizer que se trata de uma aguda sensualidade pois visivelmente não é o caso. Então o que se passa? A meu ver algo muito mais grave. Na medida que tais pessoas vão diminuindo gradativamente o uso de roupas, vão experimentando uma crescente sensação de libertação. Concomitante a isso vão adotando um abandono também gradual de formas de cortesia, de boa educação, de elevação e de compostura que são valores absolutamente não condizentes com o nudismo. Acima de tudo a religiosidade autêntica também se evanesce. Essa transformação vai tirando de tais pessoas a força para voltar aos graus anteriores de educação e as induz por sua vez a se entregarem cada vez mais à simplificação, ao despojamento, à vida simples, enfim primitiva onde a cultura civilizada cristã é completamente abolida. Quando os valores de elevação, sobretudo os valores religiosos, vão sendo rejeitados e excluídos de nossa vida, é ou não é verdade que, apesar de todo progresso técnico,
nossa sociedade está no rumo de um neocaverniculismo? É só olhar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

As Imigrações um Fenômeno Espontâneo?

Um fato que vem estarrecendo a opinião pública mundial é a explosão do fenômeno das imigrações para a Europa. Hordas gigantescas abandonam aterrorizadas a Síria, o Iraque e o norte da África buscando condições de existência possíveis. Chama a atenção como o coro das autoridades acabou se afinando a favor da acolhida dessas centenas de milhares de pessoas. Em princípio a compaixão europeia demonstrada para com os imigrantes é um ato de humanidade. Nem sempre, porém, tais atos, embora simpáticos, são fruto de uma sensata análise do fenômeno. Análise esta que deve legitimar ou não a posição adotada em razão do mero sentimento. Assim sendo, me parece que algumas perguntas precisam ser respondidas para se ter a inteira objetividade dos fatos: Por que os Presidentes de países europeus, tão interessados em receber os imigrantes, não unem suas forças para fazer cessar a causa da imensa emigração e assim normalizar a situação provocada por algo sumamente injusto? Quanto sofrimento se evitaria com tal atitude. Contudo não se vêm perguntas sérias sobre o que está produzindo tudo isso. Repito, não seria razoável resolver o problema e favorecer a volta de toda essa gente para suas vidas normais em suas Pátrias? Não vi notícias nesse sentido. Pode ser que existam, mas sem efeito concreto. Outra pergunta é: Por que esse mesmo interesse, essa mesma compaixão dos mandatários e das mídias pelos imigrantes não existe com relação, por exemplo, aos balseiros que desejam emigrar de Cuba? Estranho. Ademais: Como explicar esse imenso esquema montado para viabilizar a saída de tanta gente do norte da África para a Europa, sem que os chefes desses países obstaculizem o movimento emigratório? Normalmente tais chefes colocam barreiras intransponíveis para reter o povo. Ora tudo se passa como se, salva uma ou outra exceção e por cima dos fatos concretos, os interesses dos mandatários carrascos dos países de onde emigram tais populações fossem os mesmos dos Presidentes dos países que as recebem. Por último chama a atenção a imensa prevalência de imigrantes muçulmanos que, antes de serem recebidos de braços abertos pelos europeus (inclusive por membros da Igreja), cumprindo os preceitos de sua crença, matam os cristãos lançando-os ao mar. Quando cessará o imenso fenômeno das imigrações? Não sabemos. O que sabemos é que a rapidez da injeção de tanta gente, diferente em raça e religião, na Europa, ela sim católica em sua grande maioria, é de molde a modifica-la inteiramente. Dizia Plinio Corrêa de Oliveira, que a Europa é a fisionomia do mundo. Sua fé católica a modelou de tal modo que a tornou a parte mais bela do planeta. Desfigurar a face de alguém é desfigurar o que de mais nobre tem uma pessoa. Desfigurar a Europa é, portanto, desfigurar o mundo. É o que estamos presenciando.

sábado, 4 de abril de 2015

O brasileiro pacato está despertando da sua pacatez? As manifestações de março indicam que sim

Um benéfico e promissor descontentamento geral Leo Daniele Decorridas duas semanas, pode-se avaliar melhor o perfil da colossal manifestação de 15 março em São Paulo e em várias capitais, que a mídia tentou minimizar o mais possível nos dias seguintes. Como resumiu muito bem Eliane Cantanhêde, “o Brasil tem agora o antes e depois de 15 de março de 2015” (“O Estado de S. Paulo”, 15-3-15). Ou seja, depois do que aconteceu, o País não será mais o mesmo.
“Exagero”? Resposta única cabível: acorda! A mídia, sobretudo a de esquerda, tentou e tenta relativizar o que sucedeu. “Segundo o instituto Datafolha, essa foi a maior manifestação política registrada no Brasil desde o movimento das Diretas-Já, em 1984. Em São Paulo, a Avenida Paulista foi praticamente toda tomada. Grupos organizados discursaram de carros de som para um público predominantemente vestido de verde e amarelo”. Segundo informações oficiais da Polícia Militar dos diferentes Estados, no mínimo 1,950 milhão de brasileiros foram às ruas, nas capitais e em pelo menos outras 185 cidades do País. E também no Exterior – Nova York, Londres, Paris e Buenos Aires – eles se manifestaram. Houve ainda vários “panelaços” Um documento do próprio Planalto admite o “caos político” e que “não será fácil virar o jogo” (“O Estado de S. Paulo”, 20-3-15). Qual a causa profunda dessas manifestações? É a mais importante indagação. Muitos itens podem ser citados, mas há sobretudo uma espécie de denominador comum de tudo. O povo está cansado, está desencantado. Embora o governo sirva de espoleta para as manifestações, há algo de mais geral e mais profundo, pois não se trata apenas de um acontecimento político. “Se contra este ou aquele aspecto da realidade se enunciam queixas, contra o conjunto dessa realidade, os fatos mais recentes tornam evidente que lavra um incêndio de verdadeiro furor” – dizia Plinio Corrêa de Oliveira a respeito do Descontentamento precursor da queda da Cortina de Ferro. Mudaram os tempos e os personagens, mas os fenômenos se aparentam.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A sucuri petista deglutirá o Gigante?

A opinião pública brasileira torna-se cada vez mais angustiada diante da asfixia que o totalitarismo do PT vem lhe submetendo, pois volens nolens, uma espécie de sucuri já nos deu várias voltas seguidas dos instintivos arrochos, e a cada volta nos aperta e nos imobiliza mais rumo à posterior deglutição. Na vizinha Venezuela onde até há pouco o tiranete Hugo Chávez – amicíssimo dos petistas – impunha o seu socialismo bolivariano, com matizes diferentes, as notícias passam a impressão de que a caça já fora esmagada, e o processo de ingestão iniciado com a cubanização, ou mais precisamente, a comunistização do país irmão. Em ano eleitoral, a fim de anestesiar a sensibilidade dos brasileiros, vítimas do envolvimento da anaconda petista, vêm se tornando públicos e notórios os pacotes de bondades, como o aumento da bolsa família e de outras formas demagógicas de agradar uma gama nada desprezível da população. Ademais, o PT se engajou de corpo inteiro para a realização da Copa mundial de futebol como uma overdose anestésica. Quem não vê o óbvio, isto é, a repetição da “política de pão e circo” do antigo Império Romano? Consideração essa tão ululante que roça à banalidade dos lugares comuns. Com efeito, a história do império romano não registrou manifestações de descontentamento, afinal, ainda não havia a mídia tal qual em nossos dias, mas com certeza muita gente compreendia e discordava daquela política, e não se deixava levar. O fato, contudo, está presente no panorama atual brasileiro. Quem lê o noticiário percebe o desespero do PT para não perder o poder. E quem conversa com o público da rua percebe a rejeição ao PT – aliás, muito consciente – crescer dia a dia. Parece que a vítima se desperta ao ser atingida por mais aguilhões de anestesia, e dormita com um olho semiaberto, meio enigmático. Esse mesmo público considera que os institutos de pesquisa representam ferramentas de fácil manipulação por parte do PT. Além disso, pensa o mesmo das urnas eletrônicas. E isso tudo lhes vai “criando razão”. Contudo, as manifestações, os protestos e a violência o ameaçam... – Mas como? – Por quê? – A resposta poderia bem ser: “A vocês que percebem mais profundamente a realidade, cuidado!”. De repente a sucuri dá uma rabanada seguida de um arrocho em que a democracia vai pelos ares. Afinal existem os black blocs, o PCC, as comunidades de base com os seus respectivos anexos... Enquanto certa mídia não consegue esconder sua campanha cerrada para desmoralizar a polícia e isentar os manifestantes, deixa claro que uma força nova está nas mãos da esquerda petista. Trata-se de uma força violenta e impune. Portanto, se o pão e o circo não resolverem, não poderão tentar uma ditadura?
Nessa hipótese, para esta mesma mídia, será uma “ditadura boa”, pois petista, e a nova sucursal cubano/venezuelana passará a ser chamada – com o maior cinismo – de verdadeira democracia popular. Enfim, muita surpresa, de lado a lado, teremos pela frente; sobretudo se o Gigante de junho do ano passado despertar furioso. Fiquemos atentos. Que Nossa Senhora Aparecida nos proteja.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A seca, a fé e a chuva

A Folha online publicou no dia 8/2/14 a notícia trágica de que a tentativa de fazer chover na região do sistema Cantareira fracassou e a estiagem continua terrível! Comentando o fato com um amigo de Minas Gerais, ele recordou que em tempos idos, o clero promovia procissões que saíam da igreja matriz rumo a um Cruzeiro da cidade para pedir a Deus que enviasse chuva. Muitas crianças ainda inocentes seguiam a procissão portando garrafinhas d’água. Ao chegarem, elas eram orientadas a derramar a água junto aos pés da grande Cruz. E todos da cidade eram unânimes, a chuva não tardaria. Outro mineiro, que costuma fazer a revisão de meus artigos, acrescentou ter ele mesmo, juntamente com dois irmãos também crianças, conduzido em procissão pela mãe levando um pequeno recipiente com água da porta da casa da fazenda onde vivia até o Cruzeiro que ficava sobranceiro sobre um monte. Ali, após algumas orações, fazia-se a Deus o pedido da chuva ao mesmo tempo em que os inocentes derramavam a água aos pés Cruz. Segundo ele, isso ocorreu há mais de 60 anos, e, naquele mesmo dia, à noite, a chuva caiu abundante. Ao longo de minha vida ouvi contar muitos fatos semelhantes. Para mim, nada mais natural, pois a Igreja é detentora do poder espiritual e, portanto, capaz de mover o sobrenatural. O pedido oficial da Igreja é propício a Deus, a Nossa Senhora, aos anjos e aos santos para tudo de justo, razoável e bom. Infelizmente, nos dias que correm não se percebe mais fé entre as pessoas, como também e, sobretudo, em larguíssima parcela do clero. Para não falar de nossos governantes mais inclinados a promover uma pajelança ou “dança da chuva” que rezar ou promover uma procissão. Como seria edificante e eficaz a convocação feita por um Cardeal e Bispos seguidos do clero aos fiéis para a realização de um ato religioso a fim de implorar a Deus misericórdia pelos pecados, prometendo antes sincera conversão e, com tal disposição, rogar a Deus que chova o quanto antes. Com certeza, o povo atenderia em grande medida tal iniciativa. Resta saber se o clero, muito mais engajado em assuntos como invasões de terra e de imóveis urbanos, levante de índios e negros contra brancos, arengando sempre contra o direito de propriedade, jogando pobres contra ricos, atores sentimentais que vivem promovendo festas, pois entendem eles hoje que “Jesus quer nos fazer felizes”. Aliás, felicidade essa com significado de mero prazer e que tudo justifica. Os Mandamentos não são mais levados em conta, espalhando a vivência de que tudo corre normalmente, Deus não está desagradado com as faltas de seus filhos. Nem todos os sacerdotes procedem assim, e há verdadeiros heróis que cumprem seu dever. Infelizmente, por isso mesmo, sofrem perseguição atroz de seus pares ou mesmo até de superiores... A verdade é que voltar-se para Deus, prometer emenda de vida e implorar misericórdia quase ninguém quer fazer. Pergunto, a propósito da chuva: – E se Deus não permitir que chova até que os homens se voltem para Ele, como aconteceu no tempo de Elias profeta? Mas isso está fora de cogitação do homem de hoje. – E se, por um prodígio de paciência, Deus permitir que chova, aguardando ainda mais pela conversão do homem, ele seguirá como se Deus não existisse, pensando exclusivamente em si? O grande Santo Agostinho tinha razão ao afirmar que “Deus é amigo do homem e quer a sua salvação. O que falta é o homem querer ser amigo de Deus”.